quinta-feira, 30 de julho de 2009

Distâncias (para maiores de 18 anos) v.3

Recebi um comentário da minha amiga Rosemary sobre as distâncias.

Não há dúvida que a riqueza do vocabulário portugues pós acordo ortográfico (quer dizer tanto pt-PT como pt-BR) é efectivamente impar.

A Rosemary mandou uma nova lista de "distâncias" que passo a citar:

"NOS CAFUNDÓS DO JUDAS" com as variantes: “nos quintos dos infernos”, “onde o vento faz a curva”, “onde judas perdeu as botas”.

Havia uma frase de um humorista português, que já teve melhores dias, o Herman José, que dizia que "a lingua portuguesa era muito traiçoeira...."

E lembrei-me de uma outra história, com o meu amigo António Paulo. O António Paulo é formado é filosofia e tem uma paixão pela lingua portuguesa como conheço poucas. Não só paixão como domínio.

Lembro-me que há uns anos atrás, quando ele vivia em Vendas Novas e eu fui jantar com ele (e mais as respectivas respectivas, claro). E a páginas tantas, no regresso do jantar (em Montemor, se não me engano, depois de umas boas garrafas de vinho alentejano....) fizemos um concurso para descobrir quantas formas vernáculas havia para o orgão sexual masculino: e confesso que não são poucas, muitas que eu nem conhecia mas o Toninho afiançava... Olhem que foram muitas, muitas, muitas. Talvez mais ainda que o numero de palavras que os esquimós têm pra neve....

Eu acho que cada linguagem traduz, na diversidade de palavras, a importância que determinado objecto, circunstância, conceito têm.

Confesso que não entendo porque é que os portugueses têm tantas palavras. Estaremos, como povo, obcecados com o "coiso"???? E será que essa obsessão é partilhada pelos diversos paises que subscreveram o acordo ortográfico...

Acho que existe material pelo menos para uma investigação..... quiçá uma tese.

O filme que vi 4 vezes e três quartos

terça-feira, 28 de julho de 2009

O filme que vi 4 vezes e meia....

É verdade, não estou a brincar, vi-o quatro vezes e meia. "E meia?" perguntaram vocês espantados "A Música no Coração? Só viste quatro vezes e meia. E porquê meia?"

Vou explicar.

Fui com a minha avó Utelinda ver o filme, pela primeira vez, no cinema ....Europa? acho que sim, que se chamava "Europa", ali ao pé do Jardim da Parada, em Campo de Ourique, onde os meus avós viviam.... Ou teria sido aquele alí na Alameda Afonso Henriques, que pertence agora à Igreja Universal do Reino de Deus?????

Confesso que não me recordo, devia ter eu uns 7 ou 8 anos. Foi há muuuuuuuito tempo.....

Começamos a ver o filme entretidíssimos, lembro-me bem, eu, o meu irmão e a minha avó, "The hills are alive, with the sound of music....." e no intervalo aparece a palavra "Intermission". A minha avó, coitadinha, não sabia inglês, achou que o filme tinha terminado e viémo-nos embora.

Fiquei com mais uma história na minha vida. O dia em que só vi meio filme.... Hoje encontrei estas fotos e lembrei-me da história e da minha avó: que um dia me levou a ver meio filme.....



O Jardim de D. Deda


Emagreci. Não emagreci muito mas foi apenas o que foi preciso para tonar o jardim d D. Deda em terreno de lavoura.

Passo a explicar:

Todos nós somos acreditamos em símbolos. Não interessa se é uma cruz, um ankh, um pentagrama, um número, uma cor: Os simbolos são representações sintetizadas de ideias, emoções, vontades, ideiais.

No meu caso foi a aliança. A aliança é exactamente isso que o nome diz, um acordo de suporte e ajuda mútua, digamos que é um contrato-promessa de amor, longevidade, cumplicidade, intimidade e outras "idades" que não vêm agora ao caso.

Ainda para mais, a minha aliança era especial, porque a data estava errada. A data da aliança não foi a data em que nós nos prometemos um ao outro, mas sim a data em que apanhamos uma torcida tal que foi impossivel de concretizar a promessa naquele dia. Digamos que a aliança era do "dia anterior", no dia em que comemoramos a promessa que efectivamente só iriamos fazer no dia seguinte. Bom, acho que já chega de explicações....

A verdade é que emagreci, a aliança caia-me dos dedos, ainda tentei dar-lhe volume com Durex (nome da fita gomada deste lado do Atlântico, as confusões que isto pode causar....) mas a verdade é que desapareceu.....

Fiquei destroçado. Não foi pela aliança, que quaisquer 600 reais compravam outra: Foi pelo simbolo. Pela data gravada no anel, que comemora para todo o sempre a nossa estada no hospital para receber glicose.

Procurei no quarto, procurei na casa, procurei no carro, procurei no boteco, procurei no pesqueiro. E de repente lembrei-me que tinha estado a cortar as unhas. Procurei naquele lado do jardim, procurei no outro lado do jardim (de certeza que já ouviram falar das Rochas Deslizantes).

Pelo sim pelo não, agarrei na enchada e não parei enquanto não cheguei ao fim. Claro que não a encontrei. Só fiquei descansado quando fui ao supermercado comprar cachaça para umas caipirinhas para ajudar a esqueçer, quando me perguntaram se "aquela aliança era minha". Era!

Bebi as caipirinhas na mesma, a razão é que foi diferente.

D. Deda agradeceu, uma vez que assim se torna mais facil colocar a piscina que ela andava com vontade de pôr.

Audaces Fortuna Juvat

Não arrumei a minha vida em Portugal pra vir passear. Bom.... Estive a passear no Brasil, mas isso nunca foi, efectivamente, o meu objectivo principal. Nunca foi.

A gente quando muda de vida, ou pelo menos quando decide mudar, é bom que tenha uma ideia, um plano. Nem que seja para não o seguir. Mas isso não é mais que a vida a dar-nos a volta.

Fiz planos pra montar uma Lanrrouse, fiz planos pra montar um cinema itinerante, fiz brainstorms pra montar uma empresa que efectivasse soluções para call centers, fiz brainstorms para montar empresas ligadas a parques de estacionamento, propus sociedades, propuseram-me sociedades. Nada disto está fora de causa.

Mas temos que começar por algum lado e o lado por onde começar é sempre o lado da parceria que já existe. Com a Sky.

E é por aí que estamos a começar. Chama-se Dia de Sonho"(ponto com ponto br)" e objectivo é a gestão e decoração de eventos. Sejam eles casamentos, aniversários, baptizados. É efectivamente um mercado bastante maduro mas ainda com muito espaço para explorar.

Especialmente a mais de 400 Km da costa, que é efectivamente onde o Brasil existe. De resto são capitais estaduais, paisagem e agro-pecuária.

Nas últimas semanas temos planeado, comprado, cortado, pintado, partido, discutido, mandado fazer, encomendado. Já pusemos a criatividade a trabalhar tanto em coisas certas, como incertas, como erradas, como ilegais. E vamos aprendendo. É o jeitinho de desenrrasaca português e que os brasileiros não dispensam. Se não há, inventa-se. E não pensem que não se pregam parafusos com um martelo. Os dias em que "parafuso" significava ir ao Leroy Merlin ou ao AKI comprar uma chave vão longe. Muito longe.... Distantes... Intercontinentais....

O Brasil continua a ser o que sempre foi, uma terra de esperança, de problemas, de promessas, de riquezas e probrezas, de opostos e complementaridades. Mas não o são todas????? Umas mais que outras, sempre assim foi, sempre assim será.

E como diz o povo "O futuro a Deus pertence"..... Eu prefiro trabalhar, ter ideias, arriscar. Não é por nada, tão simplesmente porque prefiro que a minha vida tenha menos dependência de outros que não eu. Afinal sou Capricorniano para o bem e para o mal.

Ontem fiz as contas aos 45 anos que tenho. E fiz as contas certinhas.

Pertenço à geração que não teve emprego "pra-toda-a-vida" e não vai ter reforma. Pertenco à geração que está destinada a se manter em "reciclagem contínua".

E no fundo foi isso que eu fiz. Reciclei-me. Sou Vidro, Sou Plástico.

Fui esponja, copo, balde, fui bidon. Fui apito de arbítro. Apitei golos e batotas. Fui caneta BIC. Fui garrafa PET (umas vezes cheia, outras vazia). Durante algum tempo pensei que estivesse perdido no grande Deposito de Lixo de Pacífico.

Agora estou dentro da máquina. Eu sou a máquina. De mim próprio.

Agora aguardem enquanto eu me fabrico.... Vou estar pronto lá pra Setembro...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sem contar com as paixões...

Nasci Sábado, 11 de Janeiro de 1964

Já vivi 45 anos

Já vivi 546 meses

Já vivi 16,634 dias

Já vivi 399,234 horas

Já vivi 23,954,090 minutos

Já vivi 1,437,245,441 segundos

e o meu coração já bateu 1,676,786,300 vezes

(sem contar com as paixões....)


Resultado: Vamos ver quem adivinha ....

A quantidade de respostas recebidas entupiu os correios de Jateí. Eram camiões e camiões só a percorrer 2 quarteirões. Felizmente que as respostas que vieram por correio electrónico foram parar directo à caixa do lixo electrónico e foram apagadas automaticamente. Nem tive que fazer clique no botão...

Agora abrir 2.345.764 envelopes é que não estava no programa. Acho que até apanhei Lesão por Esforço Repetitivo de tantas respostas....

Bom os resultados foram surpreendentes. De forma a que me dei ao trabalho de geo-referenciar os votos de modo a identificar quais os paises que menos acreditam na qualidade dos seus governantes.

Sem constituir surpresa alguma, as respostas que recebemos de alguns países são absolutamente insignificantes, mas consistentes com a origem dos nossos visitantes.

De qualquer das maneiras, a grande vitoriosa foi Gloria Oliveira que para alem de ter identificado correctamente o texto de Eduardo Prado Coelho e o seu retrato de Portugal ainda teve a coragem de comentar que "fiquei boba de ver a semelhança que [Portugal] tem com o Brsail, parece que [a prosa] foi feita para o Brasil."

Quase desclassifiquei devido à ortografia mas a propriedade da resposta valeu o primeiro lugar.

Como diz o Rui Veloso "muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa".....

sábado, 25 de julho de 2009

Novas tendências na música portuguesa

A minha amiga Maria Helena Pereira, soprano do Coro "LisboaCantat" teve a gentileza de me chamar a atenção para as novas tendências da musica portuguesa.

A artista que iremos ouvir não teve formação no Conservatório Nacional, nem na Escola de Musica de Santa Teresinha. Não deixa no entanto de demonstrar claramente as suas raizes musicais como poderão auscultar.

Disfrutem.






O inverno aqui é tão curto.....

Aqui está-se no Inverno. Que vai durar até ao fim de Agosto. Tá frio. Tá mesmo frio, hoje de manha acordou-se com 7ºC. É frio.

D. Deda diz que o Inverno aqui é tão curto que ela gosta de aproveitar o frio. Eu achei piada. Achei, já não acho. Então não é que ela, e acreditem, quase todo o pessoal de Jateí, tem as portas e janelas todas abertas, escancaradas. Está um frio dentro de casa que andamos todos enrolados em cobertores. Mas anda toda a gente contente porque está a "aproveitar o Inverno".

Vidros duplos não existem. Calaftagem de portas e janelas foi coisa que nunca se ouviu falar. As casas não são climatizadas, estão construídas para os 9 meses de verão, não para os 3 meses de inverno. Faz sentido. Acho mesmo que faz sentido.

Mas que me lembre, a ultima vez que dormi vestido foi em mil novecentos e oitenta e qualquer coisa quando acampei em Fevereiro na Serra da Estrela e tive que montar a tenda em cima da neve.É desse tipo de frio que falo. Mas pronto, como em Roma há que ser romano, deixa-me ir embrulhar no meu cobertor e ir aproveitar o Inverno.

Afinal ele é tão curto.....

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Organização Mundial de Saúde alerta: Variante do Síndrome de Estocolmo afecta grande maioria dos eleitores

Um relatório divulgado hoje pela Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para o facto dos eleitores estarem a ser afectados por uma variante perigosa do conhecido Síndrome de Estocolmo*.

Segundo o relatório uma elevada percentagem dos eleitores demonstram uma grande, e preocupante, simpatia por governantes que foram condenados ou têm processos em tribunal relativos a irregularidades detectadas durante os seus mandatos. O relatório diz mesmo que há uma relação directa entre o volume de irregularidades e as intenções de voto, ou seja, quanto mais o autarca ou governante lucrou ilegalmente no exercício do seu cargo, mais tendência há para os eleitores votarem neles. Nomes como Fátima Felgueiras, Fernando Collor de Mello, Nestor Kirchner, Isaltino Morais, Cristina Kirchner, José Sarney, Valentim Loureiro, Fernando Henrique Cardoso entre outros, são dados como casos flagrantes desta variante do síndrome de Estocolmo, já conhecido como síndrome do eleitor.” O síndrome do eleitor não é mais do que um estado psicológico desenvolvido por pessoas que são vitimas directas ou indirectas dos seus governantes, mas desenvolvem um sentimento de simpatia e lealdade não se apercebendo da situação de perigo em que se encontram, levando-os a reeleger este tipo de governantes cada vez que são chamados às urnas. Para já não existe tratamento para esta doença mas este relatório é um alerta importante para procurarmos soluções.” explicou ao "Incorporar Brasil" fonte da OMS.

* O Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de sequestro, em que a vítima desenvolve sentimentos de lealdade para com o sequestrador apesar da situação de perigo em que se encontra colocada. Mais informações aqui.