Este fim de semana estive em Coxim, MS. Apeteceu-me ver Pantanal. Vi um bocadinho, não muito, mas vi. Mas não é sobre isso que quero escrever hoje. O que quero escrever é sobre um fenómeno brasileiro chamado "Tecnobrega" e que está a revolucionar, se não a musica, pelo menos a industria musical. Passo a explicar:
Aqui em Três Lagoas, passam à noite, carros da turma do som automotivo, pessoal que em cima das rodas e dos cavalos carrega ainda uns bons milhares de watts sonoros.
E passam a tarde e noite inteira, benzós Deus, a tocar a mesma música:
É a banda Djavù e o DJ Juninho Portugal e o Brasil anda louco com eles. E Coxim idem, por isso que me lembrei de escrever sobre isto.
Acontece que estes manos conseguiram um sucesso estrondoso e não têm sequer editora. Como fazem isso?
Distribuem as musicas gratuitamente na internet e fazem cerca de 220 espectáculos por ano em todo o Brasil. Quer dizer fariam, porque ainda não têm sequer um ano de existência.
Alem disso, quer isto também dizer que os dias de estrela do rockenrroll acabaram, agora a estrela é do tipo operário e trabalha todos os dias, não é so quando lhe apetece ou quando está com inspiração.
Mas o melhor é que este povo grava os proprios CDs e DVDs do espectáculo e à saida do show o público pode comprar o CD e DVD do show que acabou de assistir.
E portanto é um exemplo claro do "cut the middleman" e do produto directo do produtor para o consumidor.
Não vou falar da qualidade da música, que milhoes de pessoas não podem estar erradas (ou podem se admitirmos hipnotismo colectivo ou teoria da conspiração....) mas a verdade é que este novo modelo de negócio corta as editoras, permite os downloads gratuitos e repetidos e a banda ganha, ganha, ganha.
E quem inventa um modelo de negócio assim mereçe sucesso. Independentemente da qualidade.
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